Desde o momento em que o homem sabe onde está a verdade e decide a não se perdoar nada, estando também decidido a ser mais severo consigo do que com os outros, não dependerá mais da sua consciência do que os outros.
Deixará de se inquietar com a opinião daqueles que em tão grande número sabem ser maus juízes de si mesmos e, o insulto de um ébrio, a maledicência de um depravado ou a crítica de teóricos, passarão a seu lado sem o atingir.
Terá compreendido de uma vez para sempre, que é a ignorância dos verdadeiros princípios dirigentes da vida, a ausência de bom-senso, a falta de reflexão, os maus pensamentos e as más ações, que fazem a desgraça dos homens. Cada qual tece o seu destino, colhe o que semeia. O presente determina o futuro. O acaso não existe e nada acontece sem causa. Cada má ação comporta um castigo. A impunidade aparente é um logro. Essa lei, imutável, é, antes de tudo, uma lei de equilíbrio que estabelece uma ordem no mundo moral, da mesma maneira que as leis da gravitação e da gravidade mal se resgata pela dor. Todo erro provoca sofrimento, dor, que prolonga a sua ação e volta á carga quantas vezes seja necessário, até que se torne bom. Em sua ignorância, frequentemente, o homem falta á grande lei. Daí as provas, as enfermidades, o infortúnio. Mas, desde o momento que ele aprende a pôr os seus atos em harmonia com a regra universal, será feliz, terá uma vida mais sã e mais completa.
Nossos atos e nossos pensamentos se traduzem em movimentos vibratórios e seu foco de emissão, pela repetição frequente desses mesmos atos e pensamentos, se transforma, pouco a pouco, em um gerador potente para o bem e o mal.
Nos indivíduos maus, as vibrações dos seus atos e dos seus maus pensamentos, depois de haver efetuado sua trajetória, retrocedem, mais cedo ou mais tarde até ele, oprimindo-o, obrigando-o a sentir a necessidade de reformar-se. Esse fenômeno pode ser explicado pela correlação das forças, uma espécie de sincronismo vibratório que liga sempre o efeito á causa.
É fácil uma demonstração dessa verdade: em tempo de epidemia, de contágio, são, quase sempre, as pessoas, cujas forças vitais se harmonizam com as causas mórbidas em ação, as primeiras a caírem doentes, ao passo que os indivíduos dotados de vontade firme e serena, ficam indenes.
O mesmo sucede na ordem moral. Os pensamentos de ódio, de vingança, vindos de fora não podem influenciar-nos a menos que encontrem em nós, elementos que se vibram em uníssono a eles.
Se nada existe em nós similar, essas forças prejudiciais deslizam sem atingir-nos, retornando até quem as projetou, ferindo-o, seja no presente, seja no futuro, quando as circunstâncias particulares as farão entrar na corrente de seu destino . Essa lei de repercussão dos atos tem algo mecânico, de automático, em sua aparência, em todo o pensamento e em todo ato, existindo uma lei de ação e reação, estar sempre proporcional em intensidade á ação realizada. Colhe-se aquilo que se semeou.
Cada vez que um indivíduo realiza uma boa ação , um ato generoso, uma obra de caridade, de abnegação, sente no íntimo, uma espécie de dilatação interior, algo parecendo florir em si, uma chama se avivando nas profundezas de seu ser. Tal sensação não é ilusória. O espírito se engrandece, se eleva, a cada impulso de solidariedade, de bondade. Se esses atos se acumulam, se repetem, ele sente em si um poder de radiação cada vez mais intenso.
Pelo contrário, todo mau pensamento, todo ato culpável, todo costume pernicioso, provoca uma contração do ser psíquico cujos elementos se contraem, transformando-se em fluidos grosseiros.
Os atos violentos, a crueldade, o extermínio, produzem no organismo uma espécie de turvação, mal-estar prolongado que repercute sobre o organismo e se traduz em enfermidades nervosas, convulsões e até casos de loucura, segundo a gravidade das causas e a potência das forças em ação. Toda falta á essa lei universal arrasta o debilitamento, o mal-estar, a privação da liberdade. Uma atração misteriosa reúne, ás vezes, os culpados, os maus, em uma cidade, para ferir-lhes em comum. Daí as grandes catástrofes, os náufragos, os grandes sinistros, as mortes coletivos , as ondas de crimes. Essas considerações, demonstram de maneira irrefutável a necessidade de o homem manter a perfeita disciplina de pensamentos e ações.
A lei de justiça nada mais é que uma lei de harmonia, determinando as consequências dos atos que livremente realizamos. Ela não castiga nem dá prêmios. Segue sua trajetória normalmente. Todo prejuízo levado á ordem universal traz sofrimento e uma reparação necessária até que, reconhecendo os seus erros, volta o culpado a colocar-se novamente dentro da harmonia dessa lei.
O destino não tem outra regra senão a do bem ou a do mal realizados, essa grande lei se estendendo sobre todas as coisas, cada ser-humano não podendo gozar mais do que uma situação proporcional aos seus méritos. A felicidade do homem está sempre em relação com a sua capacidade para o bem. Daí a necessidade de se dizer, repetir mais e mais, fazer penetrar no pensamento e na consciência de todos, a necessidade de se conquistar as forças morais, na certeza de que, sem a mesmas, o homem será sempre impotente para melhorar as suas próprias condições e as da humanidade.
As consequências dos nossos atos recaem sobre nós mesmos através do tempo, como uma pedra que, atirada para o alto, volta ao solo.
Todos os direitos reservados á autora Ana Claudia Nardiello. Cópia proibida.
O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem. Confúcio.
A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência.
Albert Einstein
Comentários
Postar um comentário