“Toda ação tem uma reação."
Ter personalidade, ideias próprias, ser ele mesmo – eis um
homem. Uma ideia, mesmo errada, mas que seja nossa, vale mais do que uma ideia
certa que tomemos emprestada, imitando.
Os grandes homens foram aqueles que se atreveram a externar
suas próprias ideias, não obstante o sofrimento que tiveram que enfrentar.
Emerson foi chamado de doido, Napoleão foi ridicularizado,
Colombo foi tachado de aventureiro e imbecil, Lutero foi combatido – todos,
enfim, que tiveram a audácia de externar suas ideias, sofreram rudemente.
Apesar disso, todas essas figuras incompreendidas são antes invejadas do que
lastimadas e, do alto da Grande Vida, contemplam agora o panorama das gerações
que os glorificam. A ambição de um homem deve se estender da terra até o céu ,
ter uma ambição ousada, grandiosa, alimentar em si um propósito elevado, é ser
feliz, é ser livre, é estar mais perto de Deus.
O maior insulto á Divindade é levar-se uma existência
improdutiva, uma vida materializada, bruta, sem um objetivo elevado. Por isso,
é que, de um modo geral, quase todas as pessoas possuidoras de riqueza
material, são infelizes, sentindo-se perplexos ante a impotência de suas
riquezas para trazer-lhes a felicidade.
Quando um homem sente em si o despertar da consciência da
imortalidade, a infiltração em todo o seu organismo de um poder ilimitado,
então sim, ele compreende que traz em si uma partícula do Grande Todo. Essa visão , porém só chegará até ele por um
meio de meditação, do sacrifício, da abnegação e, muito principalmente, da dor,
essa grande amiga do homem.
Regozijemo-nos na dor pela grande lição que ela nos traz: na
privação , pelo propósito que fortalece; na tristeza, pelo alívio que nos dá
das posses excessivas; no fracasso, pelo caminho que abre ao êxito; no
martírio, pelo poder que nos imprime de comparar o mundo a um nada e de antever
o transporte da alma para as regiões infinitas.
A cada um chega a hora em que nada satisfaz senão o
sofrimento pelo amor de um ideal. É pelo sacrifício, pela meditação, pelo desprendimento
e pela dor que o homem encontra a Grande Verdade, o gozo da faculdade de se
perceber de um grande ideal, de participar do invisível, de tocar o
inatingível, de construir, enfim, um mundo todo seu.
Na estrada do destino, poucos são os que seguem o rumo
certo. Quase todos acham-se desnorteados e impotentes como mendigos
esfarrapados, agarrados a uma tradição, velhos hábitos, a preconceitos tolos e,
o que é pior, escravizados a uma única preocupação: dinheiro.
Tais indivíduos seguem uma rota batida, sem olhar para cima.
Alma dessas pessoas pode ser comparada a um farrapo enlameado, sem qualquer
expressão moral. Para tais pessoas, o escopo da vida é simplesmente a abastança,
a posição social; concentram-se num alvo de realização, mas perdem o controle
de si mesmos e, incapazes de qualquer gesto de altruísmo, não passam de reconhecidos
fracassos, não obstante a sua mundana
grandeza.
“... E para todo o ganho há um sacrifício.”
Cópia proibida! Autora: Ana Claudia Nardiello.
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