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A Ignorância : O mal da humanidade.



A  Ignorância : O mal da humanidade.
A imensa maioria dos homens se ocupa em solapar e destruir a saúde física e espiritual dos outros homens, ao invés de curar seus males, em ensinar o erro, ao invés da verdade; em buscar o inútil, ao invés do proveitoso. Essa imensa maioria corre estupidamente atrás do dinheiro, esquecida de que o dinheiro permanecerá após a morte do indivíduo.
Há pessoas que não apreciam as ilusões mundanas, mas, no entanto, não possuem forças suficientes para  resisti-las. Muitos aspiram o desenvolvimento espiritual ou intelectual, porém, se julgam oprimidos pelas circunstâncias exteriores, contra as quais não ousam combater e resistir, consumindo as energias em coisas desnecessárias.
Milhares de indivíduos necessitam do valor moral para romper o atavismo dos costumes sociais, os hábitos ridículos, os usos desnecessários que intimamente desprezam, porém, claudicam diante da crítica geral, a que o vulgo, essa imensa maioria de fúteis, tolos e vaidosos considera um crime opor-se.
E desse modo muitos sacrificam seus anseios ocultos e elevados diante da estúpida ignorância dessa grande maioria. Poucos, bem poucos, são os que ousam fazer face á calúnia e ao desprezo dos ignorantes, obtendo, em seu lugar, o aplauso dos esclarecidos.
Poucos são os que possuem o valor de ficar sujeitos á mofa dos imbecis, ao ridículo dos ignorantes, á zombaria dos mentecaptos, para ganharem, em troca , uma luz que esclarece a existência e que é desconhecida pelos que vivem mergulhados nas trevas da suprema ignorância.
Os princípios animais do homem se opõem ao desenvolvimento dos seus princípios superiores, porque a vida do princípio superior supõe a destruição da parte animal.
Em todo ser humano, entretanto, pulsa o poder do bem , que pode desenvolver-se, se lhe forem dadas as necessárias condições . Em todos os indivíduos existem poderes maléficos e benéficos e do próprio indivíduo depende desenvolver melhor um ou outro.
Com efeito, de uma semente de laranja, somente brotam laranjas; da semente de cardos, somente germinarão cardos.  Porém, em cada homem existe uma vasta constelação de poderes de onde brotam todas as sementes.
Ele pode ser convertido em porco ou em tigre, em anjo ou em demônio, sábio, ou insensato, segundo o meio em que foi criado, segundo sua compreensão e força de vontade, segundo sua energia para combater as más tendências.
A ignorância e a vaidade são irmãs gêmeas e o ignorante odeia sempre quem sabe mais do que ele. Pode viver com segurança no mesmo ambiente, um homem que ousa empregar suas energias na obtenção de um estado superior, que deseja subir, que procura sair das trevas da ignorância, embora rebelando-se contra as cadeias que lhe prendem? Mesmo imigrando para outro lugar, não se encontraria exposto a idênticas condições ou inconvenientes?
Assim sendo, ele terá que permanecer entre os que não apreciam a luz, porque cresceram entre as trevas. Não o compreenderão. Suspeitarão de seus verdadeiros motivos e o perseguirão. Será caluniado e sofrerá. Onde reina a obscuridade, existe horror á luz. Onde entra o ignorante, entram com ele suas imperfeições. Onde há ignorância, aí estão a suspeita, a inveja e o temor.
Cópia proibida – Escritora Ana Claudia Nardiello.

“ Uma vida inútil equivale a uma morte prematura.”  Goethe.
“ A verdadeira e única realeza está na superioridade sobre as paixões ordinárias.” Rui Barbosa.

Comentários

  1. Belíssimo texto. A luz da sabedoria incomoda os ignorantes, pois estes não conseguem enxergar senão com o brilho de seus próprios narcisismos. Te envio, em seguida, um texto da Clarice que tem tudo a ver com o que escreveste:
    "Das Vantagens de Ser Bobo

    O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

    Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

    O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

    Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

    Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

    Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

    Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

    O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

    Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

    Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." Clarice Lispector

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  2. https://www.youtube.com/watch?v=jxBm2P0AxnY

    Eu amo Clarice Lispector! Adoro quando citado que só o amor faz o bobo! Muito bem lembrado Carlos Eduardo! Obrigada pela colaboração, Bjo!

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