A ignorância e a miséria abomináveis aos olhos de nosso
Criador.
O mundo não é bom nem mau. Se um cego se põe a pensar acerca
do mundo, chegará a conclusão de que é apenas um aglomerado de vozes ou de
ruídos.
Quanto á vida, esta é boa ou má, segundo a atitude mental
com que a encaramos. Observemos: o fogo não é bom nem mau; quando nos dá calor
e nos proporciona meios para o preparo de alimentação, dizemos que é
maravilhosamente bom. Entretanto, quando
ele nos queima os dedos, dizemos que é mau. Segundo o uso que dele façamos,
teremos produzido em nós, uma sensação agradável ou desagradável.
O mundo é perfeito.
Por perfeição entendemos que ele se acha admiravelmente adaptado aos
seus fins. Podemos, pois, estar certos de que ele continuará perfeitamente a
sua marcha, sem necessidade da nossa ajuda.
Fazer o bem constitui uma necessidade para o homem normal. O
desejo de praticar o bem deve ser o objetivo mais elevado a que podemos
aspirar. Todas as boas ações realizadas
ocorrem para a nossa felicidade.
Abandonemos, pois, a ideia de querermos fazer bem ao mundo,
pois o mundo não necessita da nossa ajuda, devendo o bem ser feito
constantemente, sempre que se apresente oportunidade para fazê-lo. Sem dúvida
que é muito importante ajudar aos outros, aliviando suas necessidades físicas.
Entretanto, o auxílio é tanto maior quanto for a necessidade e mais duradouro
esse auxílio.
Se podemos ajudar uma pessoa e aliviar as suas necessidades
durante algumas horas, está bem. Se
essas necessidades podem ser remediadas por um ano, melhor ainda. Se, no
entanto, aliviamos para sempre essas dificuldades, então sim, estaremos dando a
essa pessoa a verdadeira ajuda, o que significa estarmos contribuindo talvez
para levantar uma vida frustrada.
E de que maneira podemos proporcionar a outros uma ajuda
deveras eficaz, de modo talvez a contribuir para modificar sensivelmente o
curso da sua vida? Proporcionando-lhes conhecimentos. É muito mais importante
uma dádiva de conhecimentos do que alimentos e bonitas vestes.
Ignorância significa morte, servidão, enquanto conhecimento significa vida,
liberdade.
A necessidade da fome se satisfaz comendo , porém, a fome
volta. Portanto, ela não faz ninguém infeliz. A ajuda maior que podemos
proporcionar a uma pessoa é a do esclarecimento.
A ignorância é a mãe de todas as misérias. Quando um
indivíduo adquire conhecimentos, deixa de ser miserável.
Quando os homens forem suficientemente esclarecidos, se
acabarão os asilos de caridade, as penitenciárias , porque então sua índole será outra.
Se examinarmos as vidas dos grandes homens, veremos que, num
ou noutro sentido, elas provam que as leis da natureza imperam igualmente em
seus reinos. Da mesma maneira que cada árvore, cada planta, cada
arbusto, enfim, considerada individualmente, difere das outras por certas
particularidades de constituição, apesar das características comuns de sua
época, assim também , cada ser humano, ao nascer, traz no embrião as
qualidades, aptidões e faculdades que, irrompendo espontaneamente ou
desenvolvidas pela educação, passam a constituir o seu caráter, marcando assim,
o destino da sua existência. Tais qualidades manifestam-se nuns, desde a
primeira infância, enquanto noutros, permanecem latentes até a idade adulta,
quando um supremo acaso ou um extraordinário revés da sorte as faz de repente
vibrar.
Contudo, seja qual for a índole das qualidades que
constituem o caráter de uma pessoa, elas estão subordinadas á vontade,
manifestada nas diversas formas de ambição, desejo, ansiedade, perseverança nas
ações. Todos os que venceram, revelaram, desde os primeiros anos de sua
existência, as qualidades predominantes do seu caráter: ambição, tenacidade,
propósito firme, força de vontade.
É surpreendente ver a maneira como os adversários ajudam e
prestigiam um ânimo arrojado, um espírito de decisão e como os obstáculos
desaparecem do caminho do homem que, sem arrogância fátua, confia em si mesmo.
Não há ciência nem arte, nem ameaças nem súplicas nem meio
algum que leve o homem a desistir de uma coisa que ele julga ser capaz de
fazer. Que não será capaz de realizar o homem de alma forte, que sabe o que
quer e confia na sua força de vontade, desprezando o ridículo, a vulgaridade, a
incompreensão humana, a calúnia?
Para aquele que luta por um grande objetivo, nem a pobreza
será capaz de o desalentar, nem os obstáculos de lhe deter os passos, nem os
reveses de o dissuadir dos seus propósitos elevados. Aconteça o que acontecer, conserva os olhos
fitos no seu ideal e caminha para frente.
Cópia proibida! Ana Claudia Nardiello.
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